Opinião: Mudanças na SSP-BA são "freio de arrumação" simbólico no enfrentamento à violência

Por Fernando Duarte

Foto: Joá Souza/ GOVBA

O governador Jerônimo Rodrigues fez uma série de mudanças nas forças de segurança, fortalecendo, no entanto, a figura do secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner. As trocas nos comandos das polícias provoca um impacto simbólico numa das áreas mais delicadas e que mais causam tensão a governantes. Agora, é preciso esperar se essas alterações vão surtir o efeito desejado: melhorar a percepção de segurança dos baianos.
A sensação de insegurança talvez seja o maior trunfo da oposição na guerra eleitoral de 2026. No último pleito, o tema já aparecia, porém sem tanto impacto. O grande problema foi que, por mais que tenha havido investimentos maiores na área, o próprio modelo de crime organizado evoluiu, com a emergência de facções cujo nível de hierarquização e cadeia assombra todas as instâncias do Estado brasileiro. Não foi da noite para o dia que aconteceu, mas até chegar na situação atual, houve omissão e subjugamento das organizações criminosas.
A política desenvolvida por Marcelo Werner tem apresentado resultados práticos. Os números de prisões e apreensões seguem batendo recordes, o investimento em tecnologia e na distribuição de equipamentos para as forças de segurança também. Porém, acontecem episódios como o da dentista morta na Avenida Paralela em meio a uma troca de tiros entre policiais e suspeitos, que reduzem a percepção de que a segurança existe e tem passado por melhorias contínuas. Todavia, a ponta do iceberg não mostra tudo o que há por trás dessa grande batalha narrativa.
Ao mexer nessa cúpula, Jerônimo e Werner emitem sinais de que houve uma espécie de "freio de arrumação", ainda que não se mude a macropolítica de segurança que vem sendo desenvolvida. Com os novos comandos, o cidadão baiano médio enxerga com mais facilidade o esforço que o governo está a fazer para melhorar as condições de segurança da população - e isso não quer dizer que aqueles que saíram são incompetentes ou similar. É, basicamente, uma mudança semiótica, evitando que o caldo entorne para o governo em si.
Por óbvio, qualquer resultado só deve ser sentido em alguns meses. Caso não exista um evento marcante, que coloque em xeque o comportamento das forças de segurança, as mudanças devem surtir o efeito almejado pelo governo. Afinal, a opinião pública precisa de símbolos. E Jerônimo Rodrigues mudou alguns daqueles que seriam bem representativos da face exposta da segurança.
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